sábado, agosto 22, 2009

A casa da minha infância

É grande e vermelha
Tem tectos de madeira e telhados onde há tempo para crescer musgo
Tem na parede um relogio lindo que nunca vi trabalhar e talvez por isso, cá o tempo perde importância
É sempre um sorriso que me abre a porta e a porta abre-se sempre.

Cheira a bolos e a terra quente ao anoitecer
Tem um sotão de fantasia e janelas que se abrem para deixar entrar os sinos que tocam
Tem um armário que cheira a licores e bolachas torradas, agora como há 30 anos

Tem corredores longos de madeira que range a cada passo, a cada corrida da minha filha
Escadas de pedra e um balcão onde se vêem estrelas e contam histórias
Um jardim onde cheiramos flores e apanhamos caracóis

Tem gente que nos abraça, que agradece cada bocadinho de nós por cá
Estamos de férias, eu e ela
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