quinta-feira, setembro 14, 2006

Cadernos de papel


Iniciei-me no mundo dos blogs por acaso e quase da mesma forma decidi começar um. Há anos que deitava a alma em palavras escritas em cadernos de papel. Escrevia para mim, por mim, como quem fala sozinha, sem esperar resposta nem querer.
Com o entusiasmo inicial ou qualquer outra coisa que não consigo adjectivar, por "momentos" o blog saltou para a frente do caderno. Não o substituiu, não o fechou numa gaveta, mas roubou-lhe a luz.
Até há umas semanas atrás. Esta escrita virtual, mais directa, menos real, não chegou. Para quem sempre escreveu solta, é um contraste grande escrever sabendo que alguém nos vai ler. Que alguém espera as nossas palavras. Deixei de escrever só para mim e por isso de escancarar a alma. Naquele dia, de forma muito lúcida, senti falta do outro tempo.
Do meu tempo.
Da minha escrita para mim. E por mim.
Fez-me duvidar.

Nesse dia, decidi não tirar a luz do blog porque também percebi que nada tirará o lugar dos cadernos de papel. E sorri serena.
Vão continuar a ir comigo para todo o lado.
A ver-me nua.
Como só eles.
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